O DNA brasileiro – Parte 2

Ilustração de capa: montagem com as ilustrações de Itália, Japão, Grã-Bretanha e Angola

Quais são as populações mais comuns no teste de ancestralidade meuDNA Origens?

Neste post, vamos continuar a falar sobre as populações mais frequentes do teste meuDNA Origens. Em O DNA brasileiro – Parte 1, contamos um pouco sobre a história e a cultura de Península Ibérica, França e Norte da África. Agora, nossa jornada passará por Itália, Grã-Bretanha, Japão e Angola.

Itália 

Quando pensamos na influência italiana no Brasil, lembramos das deliciosas pizzas e massas típicas do país europeu. O tradicional panetone de Natal ou a colomba pascal também tiveram origem na Itália, nas regiões de Milão e Lombardia, respectivamente. Mas a presença da Itália em nosso país vai muito além da gastronomia.

A imigração italiana para o Brasil começou no fim do século 19. Na época, a Itália vivia conflitos que buscavam a unificação do país. Famílias rurais e mais pobres sofriam com o momento de turbulência política e econômica, e sobreviver em pequenas propriedades se tornava insustentável. Ir para as grandes cidades, por outro lado, era difícil: elas já estavam com dificuldades para absorver tantas pessoas, pois o desenvolvimento industrial ainda estava em seus estágios iniciais.

A Itália, portanto, incentivava a emigração com o objetivo de aliviar pressões socioeconômicas. Por isso, entre os anos de 1870 e 1920, o período mais intenso de imigração, estima-se que 1,4 milhão de italianos tenham vindo para o Brasil, o que corresponde a 42% do total de imigrantes que entraram em nosso país nesta época.

Os dois principais destinos dos imigrantes italianos foram as fazendas de café do interior do estado de São Paulo, onde substituíram o trabalho escravo, e núcleos de colonização localizados principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo. 

Outros destinos, menos procurados em um primeiro momento, eram as cidades, sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro. No início do século 20, entretanto, São Paulo chegou a ser chamada de “cidade italiana”. Na capital paulistana, grandes comunidades italianas foram formadas, com destaque para o Bixiga. Desde a década de 50, o bairro sedia anualmente a Festa da N. Sra Achiropita, considerada a maior festa italiana no Brasil.

Grã-Bretanha

Se você já se perguntou qual seria um exemplo da influência britânica na cultura brasileira, a resposta é fácil: nada mais, nada menos, do que o futebol. Originário da Inglaterra, o esporte foi trazido para o Brasil por Charles Miller, um brasileiro de ascendência inglesa, após ter estudado na Grã-Bretanha.

Muitos anos antes disso, no século 16, diversas incursões de navios ingleses foram realizadas na costa brasileira. O principal intuito era constituir rotas comerciais. Por isso, a maior parte da comunidade britânica mantinha-se em zonas costeiras. Até o início do século 20, os dois estados com maior quantidade de ingleses e seus descendentes eram São Paulo e Rio de Janeiro, então capital nacional.

Depois da independência do Brasil, a Grã-Bretanha foi o principal parceiro comercial do nosso país. Ela financiou boa parte da industrialização brasileira, fundando empresas como a São Paulo Railway.

Foi para trabalhar nessa empresa que o pai de Charles Miller veio para o Brasil. Após estudar na Inglaterra, Miller voltou ao nosso país em 18 de fevereiro de 1894 para trabalhar na São Paulo Railway também.

No dia 14 de abril de 1895, na Várzea do Carmo, no Brás, em São Paulo, foi realizada a primeira partida de futebol no Brasil. Ela foi disputada entre os funcionários da Companhia de Gás de São Paulo e da Companhia Ferroviária de São Paulo, o time de Charles Miller, que venceu por 4 a 2.

Japão

Quem quer entrar em contato com a cultura japonesa sem ir ao Japão pode vir ao Brasil. Atualmente, nosso país abriga a maior população de origem japonesa fora do Japão, com cerca de 1,5 milhão de japoneses e descendentes.

Essa história de imigração começou no início do século 20, quando o Japão estava superpovoado. Por isso, o país começou a incentivar a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. 

O primeiro navio japonês aportou no Brasil em São Paulo, em 18 de junho de 1908. Ele trouxe 781 japoneses que foram trabalhar em fazendas do interior paulista. Hoje, São Paulo ainda é o estado que mais abriga japoneses e seus descendentes, com mais de 600 mil.

A partir de 1912, alguns grupos de imigrantes japoneses começaram a residir na ladeira Conde de Sarzedas, em São Paulo. A região passou a atrair japoneses que deixavam o campo e deu origem ao Bairro da Liberdade, que hoje reúne feiras, lojas e restaurantes típicos do Japão.

A influência japonesa no Brasil pode ser vista na gastronomia, com diversos restaurantes de comidas típicas como sushi, sashimi e tempura, no esporte, com artes marciais como o karatê e o judô, e em diversos festivais. O Festival do Japão ocorre todos os anos em São Paulo e é o maior evento da cultura japonesa no mundo. O Festival de Outono, ou Akimatsuri, realizado em Mogi das Cruzes (SP) desde 1986, também reúne milhares de pessoas todo ano, assim como o Imin Matsuri – Festival do Imigrante Japonês, em Curitiba (PR). 

Angola

Os africanos originários de Angola e de outros países da costa oeste do continente influenciaram diversos aspectos da cultura brasileira: na culinária, com o leite de coco, o azeite de dendê, a banana-da-terra, a pimenta malagueta, o inhame, o vatapá, o acarajé, o pirão e o angu; na religião, com o candomblé e a umbanda; em tradições populares, como pular sete ondas e vestir branco durante a passagem de ano; e com a capoeira, uma mistura de arte marcial com esporte, dança e música, que surgiu no século 16, no Quilombo dos Palmares, em Pernambuco. 

Análises genéticas mostraram que cerca de 86% da população brasileira tem pelo menos 10% de ancestralidade africana. Portanto, mais de 180 milhões de brasileiros compartilham heranças genéticas vindas da África.

Infelizmente, não foi por vontade própria que a grande maioria dos africanos veio para o Brasil. Como sabemos, eles eram capturados e transportados para o nosso país para trabalhar como escravos. Entre os séculos 16 e 19, o Brasil foi o país da América que mais recebeu escravos africanos. Estima-se que cerca de 4 milhões deles tenham desembarcado no país, provenientes de diferentes regiões do continente africano. 

Eles chegavam principalmente aos portos de Rio de Janeiro, São Paulo e Recife, e depois eram transportados para todo o país. Como suas condições de vida e trabalho eram cruéis, muitos fugiam e formavam quilombos.

O tráfico de escravos para o Brasil foi interrompido apenas em 1850. A abolição da escravidão veio 38 anos depois, em 1888. Isso não significou, é claro, que africanos e seus descendentes passaram a ser tratados com igualdade a partir de então. Como podemos ver até hoje, o racismo está presente e enraizado na sociedade e a desigualdade entre descendentes de diferentes etnias pode ser facilmente observada no Brasil. 

O preconceito contra negros ou qualquer outra etnia, seja pela cor da pele, religião ou qualquer outro motivo, não deveria ter espaço em nenhum país, especialmente no Brasil. Como vimos ao longo deste post, o brasileiro é formado por uma grande diversidade de populações, e é essa miscigenação que nos torna um povo tão rico culturalmente. 

Se você quer se conhecer melhor e descobrir quais povos fazem parte das suas origens, é só fazer o meuDNA Origens. 

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