As Variantes do Coronavírus

Ilustração de capa: coronavírus destacado em amarelo, indicando uma nova variante

Entenda mais sobre cada mutação do coronavírus, as diferenças entre as novas variantes e porque alguns testes de Covid-19 conseguem detectá-las e outros não

Ao longo de 2020, nos questionamos sobre diversos aspectos do novo coronavírus: quais seriam seus sintomas, os meios de prevenção e contaminação e o que fazer caso estivéssemos contaminados. Com a disseminação do vírus e o passar do tempo, novas variantes surgiram e, com elas, ainda mais dúvidas. 

Vamos então falar sobre elas: quais as diferenças entre o vírus original e suas variantes? Quantas variantes são? Os testes de Covid conseguem detectar todas elas?

Como surgem novas variantes?

O coronavírus, como qualquer outro vírus, infecta células e as utiliza para conseguir se multiplicar. Mas, nesse processo de replicação do material genético, alguns erros, chamados de mutações, podem ocorrer.

Quando acontecem, o resultado é um vírus semelhante, porém não idêntico, ao original. Esses vírus são chamados de variantes e podem ter uma ou várias mutações em relação àquele que o originou.

Se muitas mutações são acumuladas em uma variante, ela pode começar a apresentar comportamentos diferentes do vírus original. Quando isso acontece, as variantes passam a ser chamadas de novas cepas. A Covid-19 é causada por uma cepa do coronavírus conhecida como SARS-CoV-2.

As diferenças de comportamento podem ser, por exemplo, uma forma de replicação mais rápida ou uma transmissão mais eficiente.

Quais são as novas variantes do coronavírus?

Durante a pandemia de Covid-19, diversas novas variantes do coronavírus surgiram. Vamos destacar as três consideradas mais importantes até o momento, por terem se espalhado mais pelo mundo e demonstrarem maior potencial de infecção.

Variante Britânica (B.1.1.7)

A variante britânica foi descoberta no Reino Unido em dezembro de 2020. Cientistas acreditam que ela é de 30% a 50% mais infectante que outras variantes que estão em circulação atualmente. Esse comportamento diferente é causado por mutações na proteína spike (gene S) do vírus, que o ajuda a ter maior adesão às células e as infectar.

Variante Brasileira (Variante de Manaus ou P.1)

Também em dezembro, a variante brasileira foi descoberta na cidade de Manaus. Esta variante, assim como a britânica, possui mutações no gene S e parece ser mais infectante que o coronavírus original. Há indícios de que ela possa se esquivar da imunidade desenvolvida por outras variantes, ou seja, é possível que ela cause Covid-19 mesmo em quem já foi infectado anteriormente por uma variante diferente.

Variante Sul-Africana (B.1.351)

A variante da África do Sul, além de possuir mutações similares às variantes citadas acima que as tornam mais infectantes, alerta cientistas por outro motivo: estudos clínicos mostraram que algumas vacinas protegem menos contra essa variante em relação às demais. 

Essa preocupação, na verdade, é válida para todas as novas variantes. Pesquisas ainda estão sendo feitas para determinar a eficácia das vacinas disponíveis contra cada uma delas. As evidências que temos até o momento mostram que, embora a resposta das vacinas às variantes possa ser menor em relação ao vírus original, elas conseguem ajudar na defesa do organismo contra a doença e diminuir a quantidade de casos graves e mortes. Portanto, a vacinação em massa continuará sendo uma das principais formas de lutar contra a pandemia, mesmo com o surgimento de novas variantes.

Testes de Covid conseguem detectar novas variantes?

Muitos testes de Covid conseguem detectar as novas variantes do coronavírus, mas não todos. Tudo depende de como o teste funciona.

Exames moleculares, por exemplo, dão positivo quando encontram genes do vírus na amostra analisada. Nesses casos, a detecção do vírus dependerá de qual gene o teste busca e se ele sofreu mutações ou não.

A maior parte das mutações observadas até agora está no gene S do coronavírus, como aquela da proteína spike que citamos acima. Então, testes que buscam pelo vírus baseados nesse gene terão dificuldades em detectar as novas variantes e podem gerar resultados falso-negativo.

Já testes que buscam por outros genes provavelmente conseguirão detectar as novas variantes. O meuDNA Covid, por exemplo, tem alta especificidade para o gene N. Portanto, ele consegue identificar as novas variantes com a mesma precisão do coronavírus original: as chances de falsos-positivos são inferiores a 1%; as de falsos negativos, inferiores a 20%.

Por isso, testar a população continuará sendo uma das melhores maneiras de rastrear o vírus e frear a pandemia. Então, até vencermos essa luta contra o vírus, continue se cuidando: além de usar máscara, higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento social, teste-se regularmente. Assim você descobrirá o vírus rapidamente e evitará a contaminação das pessoas mais próximas a você.

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