O que é ancestralidade?

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Ancestralidade é um termo que vem ocupando cada vez mais espaço no imaginário e no cotidiano dos brasileiros. Tanto que, de acordo com o Google Trends, as buscas por temas relacionados dobraram por aqui ao longo de 2020.

Mas o que quer dizer a palavra ancestralidade? Quais significados ela traz? Por que as pessoas estão se interessando cada vez mais por isso? E qual a importância de saber mais sobre o passado?

Ancestralidade além do dicionário

Se você tentasse montar a sua árvore genealógica a partir de histórias e relatos que ouviu desde criança, quão completa ela seria? De quantas gerações da sua família você tem notícia?

É muito comum relacionar a ideia popular de ancestralidade a rituais sagrados e costumes milenares. Essa associação está diretamente ligada ao conceito principal da palavra, portanto, não deixa de ser correta. Mas e quem não sabe de onde veio, não pode falar sobre o assunto?

O conceito de ancestralidade tem vários significados, e todos eles passam por um só: a influência da nossa família sobre quem nós somos. E essa família não é só a de pai, mãe e irmãos. É também sobre as gerações que a gente não conheceu, os bisavós dos nossos tataravós, séculos de histórias cuja herança ainda está viva.

E essa história de herança?

Ancestralidade é tudo o que se relaciona com a nossa ascendência, ou seja, as gerações anteriores. É um conjunto de fatores hereditários, que são passados de geração em geração, e estão diretamente ligados às origens da nossa família. Por isso, é uma herança.

E ela pode ser:

  • Cultural, como nomes, sobrenomes, costumes e rituais mantidos pelas nossas famílias; e
  • Genética, porque o nosso DNA é formado pela combinação dos genes dos nossos pais, que receberam os genes dos nossos avós, e assim por diante.

A diferença é que a herança genética é a única transmitida de forma biológica, independentemente de sabermos ou não de onde viemos.

Os genes que definem o tipo do nosso cabelo, por exemplo, estão na nossa família há várias gerações. Por isso, são hereditários assim como os que definem todos os nossos traços físicos, as características do organismo, e até a tendência a certas doenças. Mesmo não tendo se manifestado em todos os integrantes, eles estavam ali. 

Mas a herança cultural, essa que aprendemos com os mais velhos e ensinamos aos nossos filhos, pode ser perdida com o tempo. Por exemplo, como aprender e repassar um costume familiar que não é valorizado, ou nem mesmo conhecido?

Revendo outros conceitos

A ancestralidade brasileira é composta por várias influências externas, principalmente devido à sua história colonial. Muito antes disso (há pelo menos 15 mil anos, segundo consenso entre a maioria dos cientistas), porém, os primeiros humanos a povoarem o Novo Mundo também vieram de longe. 

Para ajudar a entender o assunto, vale revisar as diferenças entre etnia e nação, dois conceitos bem relacionados ao tema deste post:

Etnia

Etnia é um grupo de pessoas que compartilham a mesma ascendência e semelhanças culturais. A palavra vem do grego éthnos, que significa “povo” ou “cultura”. Em outras palavras, uma etnia é um povo com origens, línguas, religiões e costumes iguais entre si.

Etnias muito abrangentes são chamadas de grupos étnicos, e podem se espalhar pelo mundo divididos em etnias menores que mantêm uma identidade cultural, linguística e/ou religiosa. Assim como pequenas tribos, que nunca tiveram contato com pessoas de fora, continuam sendo uma etnia.

Os Árabes, por exemplo, com 450 milhões de pessoas, são um grupo étnico. Eles compartilham a língua materna, sua ascendência pode ser traçada até os habitantes originais da península arábica, e costumes sociais e religiosos são mantidos há séculos.

Já a tribo Kawahiva, da Amazônia brasileira, é uma etnia formada atualmente por algumas dezenas de indígenas nômades. Eles vivem entre o noroeste do Mato Grosso, o leste de Rondônia e o sul do Amazonas, sem qualquer contato com outros povos.

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Grupos étnicos podem se dividir em etnias menores e ainda assim manter sua identidade. Uma tribo indígena, por exemplo, é uma etnia se todos compartilham as mesmas origens, línguas, crenças e costumes.

Nação

Nação é uma comunidade, que pode ser formada a partir de diferentes etnias, na qual todas as pessoas ocupam um mesmo território, sob um mesmo governo, seguindo as mesmas leis.

Enquanto etnias são instituições culturais, nações são instituições culturais e também políticas. Um exemplo é o Brasil, uma nação com mais de 212 milhões de habitantes (IBGE 2020), vários deles com culturas, línguas e histórias distintas, mas que habitam um mesmo território.

Um membro da nação brasileira é aquele que nasceu no Brasil, nasceu em outro país mas possui pai brasileiro ou mãe brasileira, ou ainda um estrangeiro que solicitou cidadania brasileira.

Por que explorar nossa ancestralidade

Estamos sempre ligados ao amanhã: ao que vamos fazer, a quem vamos ser, aonde vamos estar. Mas descobrir sobre o passado é fundamental para planejar o futuro.

Veja alguns motivos para descobrir a sua ancestralidade:

(Auto)conhecimento é poder

Explorar as raízes da nossa família é saber que pertencemos a um povo, um lugar de origem, um grupo com o qual podemos nos identificar. Todas as pessoas possuem uma origem, mas nem todos podem se conectar a ela por não a conhecerem.

Saber a ancestralidade significa trilhar um caminho de autoconhecimento que ajuda a revelar a nossa identidade. E conhecer as nossas raízes tem um papel fundamental nisso. É como diz o ditado, de autor desconhecido: “quem não sabe de onde veio não sabe para onde vai”.

O Brasil é uma mistura

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O Brasil possui uma das populações mais miscigenadas do mundo, graças à contribuição de dezenas ou centenas de etnias. Mas, com a exceção de famílias muito tradicionais, é muito difícil rastrear toda essa ancestralidade.

Nosso país tem uma das populações mais miscigenadas do mundo. O DNA brasileiro é composto por dezenas ou centenas de etnias, mas, com a exceção de famílias muito tradicionais, é muito difícil rastrear toda essa ancestralidade.

Alguns povos, principalmente europeus, têm registros históricos muito bem documentados e vivos, passados de geração em geração, mesmo após a imigração para o Brasil. E, mesmo assim, podem não saber toda a história da família. Isso porque nascer em uma nação não necessariamente reflete a etnia de uma pessoa.

Já outros, principalmente os não europeus, encontram dificuldades para saber de onde vieram justamente pela falta de registros históricos. Por exemplo: várias povos africanos tiveram séculos de história apagados pela escravidão, enquanto dezenas de etnias indígenas da América do Sul foram totalmente dizimadas.

É comum ter uma ancestralidade composta por mais de uma etnia. No Brasil, é comum esse número até passar de 10. Então, como resgatar o passado?

A ciência a nosso favor

Felizmente, os exames genéticos estão revolucionando a medicina e se popularizando entre as pessoas. Cada vez mais completos e acessíveis, eles ajudam a revelar informações presentes no nosso DNA que até então eram desconhecidas.

Hoje, é possível descobrir a nossa ancestralidade a partir de uma amostra de saliva. Se toda a nossa herança genética, passada de geração em geração, está no nosso DNA, por que não explorar essas informações?

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*este post foi feito com a contribuição de Lenka Rejfírová. Obrigado, Lenka! 🙂

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