Máscara N95, PFF2, TNT ou tecido: qual a mais eficaz?

A pandemia do novo coronavírus fez com que o uso de máscara facial se tornasse um hábito necessário em todo o mundo. No Brasil, os modelos caseiros, como os de tecido, ainda são maioria, enquanto países desenvolvidos passaram a exigir o uso apenas de modelos profissionais, como a máscara N95.

Mas qual o material mais eficaz para proteger contra o vírus da Covid-19? Descobrir essa resposta foi o objetivo de um estudo brasileiro que testou e comparou mais de 200 tipos de máscara à venda no país.

O que dizem os cientistas

O uso de máscara facial é uma forma eficaz de reduzir a propagação do SARS-CoV-2, o vírus responsável pela Covid-19. Por isso, seu uso é fundamental no controle da pandemia, sendo obrigatório em locais públicos e/ou com grande circulação de pessoas.

Durante muito tempo, os cientistas ficaram mais atentos à transmissão da doença a partir de gotículas emitidas pela tosse, pelo espirro e pelo contato com superfícies contaminadas. Depois, descobriram que a transmissão acontece também por gotículas ainda menores: os aerossóis. Emitidos ao falar ou espirrar, eles ficam suspensos no ar por mais tempo.

A principal forma de transmissão do vírus da Covid-19 é pelo ar. Daí a importância do uso de máscaras, além de outros métodos de proteção, como evitar locais fechados e/ou com grande circulação de pessoas.

A função das máscaras é impedir o contágio, protegendo principalmente nariz e boca, que são as principais portas de entrada para o nosso organismo. E, no caso de pessoas contaminadas, ela impede a propagação de partículas emitidas. É por isso que o uso deve continuar após a imunização pela vacina: mesmo imune, uma pessoa pode transmitir o vírus.

O estudo

Que as máscaras são eficazes e fundamentais para frear a pandemia da Covid-19, os cientistas já sabiam. Mas a eficácia de cada uma delas ainda era um mistério, porque são vários os tipos e materiais em uso.

Por isso, um grupo de cientistas testou e comparou 227 modelos de máscara facial. O estudo foi feito no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP), e os resultados foram publicados na revista “Aerosol Science and Technology”.

Com um equipamento especial, eles produziram partículas de aerossol com tamanho similar ao do vírus da Covid-19. Para se ter uma ideia, a massa de uma partícula viral do SARS-CoV-2 equivale à bilionésima parte de um miligrama. Depois, os cientistas lançaram jatos no ar. A eficácia das máscaras foi medida a partir da concentração de partículas antes e depois do experimento.

Os modelos foram divididos em 3 grupos: caseiro, cirúrgico e profissional. O primeiro grupo é composto pelas máscaras de tecido, o segundo corresponde às máscaras de TNT à venda nas farmácias e o terceiro inclui tanto a máscara N95 quanto a PFF2. Confira o resultado:

Máscara de tecido – caseira

Embora seja o tipo mais usado no Brasil (e talvez o mais confortável), a eficácia média de filtração das máscaras de tecido, de acordo com o estudo, foi de apenas 40%. Mas os resultados variam entre 15% e 70% de proteção.

O nível varia tanto porque não existe um padrão de confecção para esse grupo, que inclui modelos feitos com algodão e materiais sintéticos, como poliamida, lycra e microfibra. Outros fatores, segundo os cientistas, também contribuem para a variação da eficácia.

Os modelos feitos com fibra metálica, que inativa o vírus, e os fabricados com material eletricamente carregado, que retém mais partículas, aumentam a proteção. Assim como os que contam com clipe nasal, que ajudam a reduzir o “escape” de ar. Já as máscaras de tecido com costura central aumentam a passagem de ar, devido aos pequenos furos no tecido, e são menos eficazes. 

Máscaras de algodão com duas camadas são mais eficazes que as fabricadas com apenas uma. A partir de três camadas, no entanto, a dificuldade para respirar é maior que a proteção extra. E, independentemente do modelo, a eficácia das máscaras de tecido diminui a cada lavagem, devido ao desgaste do material.

Apesar de serem as mais populares, as máscaras de tecido são as que menos protegem contra o vírus da Covid-19.

Máscara de TNT – cirúrgica

As máscaras de TNT são feitas de polipropileno, um tipo de plástico, e geralmente são vendidas em farmácias. A eficácia do modelo com tripla camada, segundo o estudo brasileiro, varia entre 80% e 90%, sendo mais seguras que qualquer modelo feito de tecido.

A máscara cirúrgica protege mais porque consegue captar gotículas maiores e mais pesadas. Ainda assim, a eficiência contra aerossóis é limitada. A presença de clipe nasal aumenta a vedação, mas as laterais abertas permitem a entrada e a saída de ar.

Por serem mais eficazes que os modelos de tecido, mais confortáveis que os modelos profissionais e mais barata que os dois grupos, as máscaras de TNT são as melhores no sentido custo-benefício.

Máscaras de TNT com tripla camada, geralmente vendidas em farmácias, oferecem até 90% de proteção.

Máscara N95 ou PFF2 – profissional

De acordo com o estudo feito na USP, esse tipo de máscara conseguiu filtrar entre 90% e 98% das partículas de aerossol. Com isso, é o mais eficaz dos três grupos.

Modelos profissionais são produzidos sob padrões e certificações nacionais e internacionais. Se usados corretamente, eles garantem a maior capacidade de vedação, impedindo que o ar entre ou saia sem que passe através do filtro.

Uma máscara N95, por exemplo, protege tanto quem usa quanto quem está ao redor porque garante vedação e filtra até as menores partículas. Por isso, não é tão confortável, já que precisa estar muito bem ajustada ao rosto, o que pode apertar ou causar falta de ar.

Modelos profissionais, como a máscara N95 e a FFP2, são os mais eficazes.

Dicas

Todos os 227 modelos testados no estudo são eficazes em proteger contra parte das partículas no ar. Isso quer dizer que tanto a máscara N95 quanto a de tecido são capazes de diminuir o contágio pelo vírus. Mas é preciso considerar os níveis de proteção no momento da compra e também durante o uso.

De acordo com o coordenador do estudo, usar máscara o tempo todo é uma das melhores estratégias de prevenção contra a Covid-19, assim como manter portas e janelas abertas para permitir a ventilação dos ambientes.

Por isso, para ampliar a proteção contra o vírus SARS-CoV-2, nós do meuDNA recomendamos o uso de máscara combinado com outras medidas de segurança, como lavar as mãos com água e sabão, evitar aglomerações e fazer testes regularmente.

Agora que você já sabe quais as máscaras mais eficazes, confira também os diferentes tipos de teste para Covid-19 e qual o melhor para você.

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