Gêmeos idênticos têm o mesmo DNA?

De acordo com um novo estudo, cerca de 90% dos gêmeos idênticos têm ao menos uma pequena diferença em seu código genético

Você já deve ter ouvido falar que cada um de nós tem um DNA único. E, logo após essa afirmação, geralmente nós somos lembrados: “com exceção de gêmeos idênticos”, pois eles são gerados a partir das mesmas células. Mas gêmeos idênticos realmente têm o DNA 100% igual uns aos outros?

Um estudo publicado este ano na revista científica Nature, uma das mais respeitadas do mundo, revelou que cerca de 90% dos gêmeos idênticos têm ao menos uma pequena diferença em seu código genético.

O estudo

Para chegar a esse resultado, pesquisadores da Universidade da Islândia analisaram o DNA de 381 pares de gêmeos idênticos e de dois pares de trigêmeos. Como sabemos, o DNA é formado por uma sequência de mais de seis bilhões de letras, cada uma representando uma base nitrogenada: adenina, guanina, timina e citosina. 

Em 38 pares de gêmeos, essa sequência inteira era idêntica. Em todos os demais, havia ao menos uma mutação – uma letra diferente – entre os irmãos. Em média, a diferença era de 5 mutações. Mas, em 39 deles, os pesquisadores encontraram mais de 100 diferenças no DNA.

Qual a diferença genética entre gêmeos idênticos e gêmeos fraternos?

Nosso DNA é formado por 50% de material genético do nosso pai, proveniente do espermatozóide, e 50% de material genético da nossa mãe, proveniente do óvulo. Cada uma dessas células reprodutivas possui um DNA diferente e, portanto, cada combinação entre elas – cada filho – será diferente. Por isso, os filhos de um mesmo casal não são todos iguais, mas compartilham cerca de 50% de material genético.

No caso de gêmeos fraternos, dois espermatozóides fecundam dois óvulos diferentes. Portanto, eles são como irmãos não-gêmeos: compartilham metade do DNA.

Já no caso de gêmeos idênticos, um único espermatozóide fecunda um único óvulo. O óvulo, depois de fecundado, se divide e dá origem aos dois irmãos. Portanto, eles têm o mesmo DNA. Como esse estudo mostrou, porém, algumas mutações podem surgir após a divisão do óvulo, fazendo com que nem mesmo gêmeos idênticos tenham o DNA 100% igual.

Como, e quando, essas mutações surgem?

As mutações encontradas por esse estudo provavelmente surgiram quando uma célula estava se replicando, ou seja, se dividindo para criar outras células. Durante esse processo, a célula precisa duplicar toda a sequência de 6 bilhões de letras e, às vezes, ela comete alguns erros. Quando isso acontece, entram em ação mecanismos para corrigir os erros e impedir que eles se propaguem. Mas, de vez em quando, até mesmo esses mecanismos falham.

Para entender melhor em qual estágio do desenvolvimento essas mutações aconteciam, os pesquisadores islandeses compararam o DNA dos gêmeos com o DNA de seus pais e de seus filhos. Se a mutação ocorre muito cedo, ela também é encontrada nas células reprodutivas (espermatozóides e óvulos) e é passada para a próxima geração. Mas, se a mutação ocorre mais tardiamente, ela não estará presente nas células reprodutivas e não é passada adiante.

Nessa pesquisa, os cientistas observaram os dois casos.

“Nós encontramos um par de gêmeos em que um irmão tinha uma mutação em todas as células do corpo e o outro em nenhuma”, contou Kari Stefansson, pesquisador principal do estudo, em uma entrevista ao The Scientist. “Depois, encontramos um caso onde um gêmeo tinha uma mutação em todas as células do corpo e seu irmão em cerca de 20% de suas células”.

Stefansson ressalta também que a importância do trabalho vai além de responder uma simples curiosidade. De acordo com ele, o estudo ajudará na compreensão sobre como é possível usar essas mutações para estudar o desenvolvimento embrionário de seres humanos e entender melhor a trajetória de algumas células do embrião até os diversos órgãos e tecidos do nosso corpo.

Qual o impacto dessas mutações?

O estudo não investigou quantas, ou quais, mutações poderiam ser responsáveis por pequenas diferenças entre os irmãos. Diferenças podem ser causadas por fatores genéticos, mas também por fatores ambientais, como alimentação, exposição ao sol e quantidade de exercícios físicos que cada um realiza.

Muitas mutações, como provavelmente é o caso das encontradas por esse estudo, não impactam na saúde. Outras, entretanto, são determinantes para o desenvolvimento de determinadas doenças. A chance de mulheres desenvolverem câncer de mama, por exemplo, sobe de 7% para 72% quando elas possuem uma mutação no gene BRCA1.

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