Migrações desvendadas pela genômica

siberianos migrando através de um DNA

Estudo de revisão ressalta como análises genômicas de fósseis antigos revelaram indícios sobre origem dos povos indígenas e sobre o povoamento das Américas

As análises genéticas são capazes de revelar informações valiosas sobre migrações históricas e semelhanças genéticas entre pessoas que conviveram em regiões próximas. Os estudos mais antigos utilizavam técnicas que avaliavam apenas parte do DNA dos fósseis antigos, o que limitava informações de ancestralidade e miscigenações. 

Há cerca de 1 década, as novas abordagens passaram a incluir análises mais completas do genoma dos fósseis antigos, aumentando o entendimento sobre a origem dos povos indígenas.

O estudo, publicado na revista Nature, é uma revisão científica que explica em detalhes a teoria mais aceita atualmente sobre o povoamento das Américas. Entenda a seguir as descobertas sobre a origem dos povos indígenas reveladas pelos estudos de DNA.

Povoamento das Américas

Ilustração de um siberiano e um nativo americano lado a lado

Em 2014, o primeiro genoma de um fóssil antigo do continente americano foi estudado. A partir de então, diversos outros genomas também foram decodificados e, com isso, a teoria mais aceita sobre o povoamento das Américas ficou mais estabelecida e detalhada. A revisão se baseia nas publicações científicas da área de genômica de fósseis e esmiúça a origem dos povos nativos americanos.

Ao identificar semelhanças e diferenças no DNA dos fósseis encontrados em diversas regiões da Ásia e da América, foi possível inferir quais foram os povos que tiveram compartilhamento genético e também quais são os povos que atualmente possuem marcadores genéticos similares aos dos fósseis. Essas informações permitem explicar a migração de povos de períodos que datam desde o Pleistoceno (há mais de 20 mil anos atrás). 

A teoria mais aceita, revisitada neste estudo, sugere que o movimento migratório que povoou a América partiu do nordeste da Ásia. Entre 30 e 12 mil anos atrás formou-se uma ponte de terra atravessável no Estreito de Bering, devido à diminuição do nível do mar durante a Era Glacial.

Após esse período não era mais possível atravessar o Estreito a pé, apenas por mar. Os autores do estudo mencionam que essa mudança pode explicar o grande intervalo entre a chegada dos ancestrais de nativos americanos (cerca de 15 mil anos atrás) e dos paleo-inuits (anteriormente chamados de paleo esquimós – cerca de 5 mil anos atrás).

A genômica revela história

mapa com rota de migração pelo Estreito de Bering

As análises genômicas enriquecem a história a ponto dos pesquisadores conseguirem inferir que os antigos siberianos do norte tiveram contato genético com o grupo de leste asiáticos há cerca de 20 mil anos atrás, originando duas linhagens: os antigos paleo-siberianos (ancestrais de povos siberianos atuais) e o ramo cujos descendentes cruzaram para a América.

Esse ramo inclui três populações que chegaram ao continente americano em ondas separadas, e apenas uma delas, os nativos americanos ancestrais, continuou em direção ao sul do continente. 

Estudar a ancestralidade dos fósseis é capaz de dizer, ainda, as rotas de migração e povoamento, e de inferir momentos em que houve divisão e isolamento de populações, ou mesmo quando ocorreu miscigenação entre elas.

Os autores do trabalho lembram que a genômica não consegue explicar, por exemplo, os motivos que levaram os povos a migrar ou a permanecer em um determinado lugar. Eles ressaltam também que a história não está completa, dado o pequeno número de fósseis. 

Descubra a sua ancestralidade

O teste de ancestralidade revela quais são as populações que existem no nosso DNA, sejam elas em grandes ou pequenas porcentagens. Assim, podemos descobrir em quais regiões habitavam os nossos antepassados.

Porém, há uma grande dificuldade de detalhar a ancestralidade de povos indígenas. Isso ocorre principalmente porque os bancos de dados não possuem amostras suficientes das diversas etnias indígenas para diferenciar a composição genética de cada uma delas.

Como os nativos americanos compartilham marcadores genéticos, devido à origem em comum, ocorre o agrupamento de etnias indígenas em grupos maiores. No meuDNA Origens, por exemplo, a ancestralidade indígena pode aparecer de 3 formas: Nativos da América do Norte, da América Central e da América do Sul. 

São mais de 700 mil pontos no DNA para revelar as suas origens de 5 a 8 gerações atrás – o que equivale aos tataravós dos seus bisavós. Descubra a história da sua família com o meu DNA Origens e conecte-se com as culturas que fazem parte do seu DNA!

2 comments
  1. Recebi o resultado do meu DNA ancestralidade mas achei estranho, pois diz que sou 100% Europeu, porém eu sei que a minha avó por parte de pai era indígena, nativa do Brasil. Quanto a parte Européia, por parte da família da minha mãe tenho o registro de histórico completo dos imigrantes que vieram para o Brasil e que são imigrantes alemães, porém meu DNA diz que o maior percentual é de portugueses e espanhóis.

    1. Olá Luiz Fernando,

      É possível que os marcadores genéticos dessa ancestralidade não tenham chegado até você por conta da miscigenação e do embaralhamento do DNA.

      Nós recebemos metade do nosso DNA da mãe e a outra metade do pai. Assim, a cada geração a contribuição de DNA que chega até nós cai pela metade. Porém, a metade de DNA que um pai passa de um filho não é perfeitamente a metade de cada ancestralidade, pois ocorre um embaralhamento do DNA ao ser passado de uma geração para outra.

      Quanto mais ancestralidades tem um antepassado, menores a porcentagens de cada uma delas, e assim algumas podem ser diferentes do que o esperado ou até mesmo não chegar até você.

      Aqui você pode ler um pouco mais sobre essas questões: https://meudna.com/entendendo-resultados-teste-ancestralidade

      Se ainda tiver dúvidas, envie um e-mail para atendimento@meudna.com que responderemos você por lá! 🙂

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