Como humanos podem ter DNA neandertal ou denisovano?

Um novo estudo mostrou que povos das Filipinas compartilham até 5% de DNA com os denisovanos, espécie de humanos extinta há cerca de 40 mil anos

Você deve saber que compartilha DNA com seus pais, avós, bisavós e ancestrais até mais antigos. Mas já pensou descobrir que você compartilha até 5% de DNA com outra espécie de humanos, que foi extinta cerca de 40 mil anos atrás?

Em estudo publicado em agosto deste ano, geneticistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, mostraram que certos povos das Filipinas têm cerca de 5% de DNA denisovano. Os denisovanos, assim como os neandertais, foram uma espécie de humanos que acabaram extintos dezenas de milhares de anos atrás. Como, então, esses genes chegaram até as populações atuais?

DNA neandertal

Cientistas já sabiam que muitas pessoas hoje ainda possuem um pouco de DNA neandertal. Essa espécie, a mais próxima da nossa do ponto de vista evolutivo, contribui em média com cerca de 1,5% a 2% do DNA de europeus, por exemplo.

Para chegar a esses números, geneticistas sequenciaram DNA obtido a partir de ossos de neandertais. Em 2010, quando um genoma neandertal inteiro foi publicado pela primeira vez, cientistas concluíram que havia ocorrido cruzamentos entre eles e H. sapiens.

Desta forma, o DNA neandertal foi passado de geração em geração pelos descendentes desses cruzamentos. Apesar da diluição ao longo do tempo, o material genético dos neandertais chegou até os dias de hoje, principalmente na Europa, continente onde houve mais contato entre as duas espécies de humanos.

Ancestralidade denisovana

Enquanto os neandertais exploravam o continente europeu, outra espécie de humanos, os denisovanos, se espalhavam pela Ásia. Infelizmente, temos menos informações sobre eles porque há pouquíssimos fósseis confirmados de denisovanos. E, além disso, esses fósseis foram encontrados em regiões tropicais, onde as altas temperaturas contribuem para a degradação do DNA.

Após analisar o material genético encontrado nos ossos e compará-lo com o de populações atuais da Ásia e Oceania, os cientistas verificaram que habitantes de Papua-Nova Guiné tinham cerca de 4% de DNA denisovano. O novo estudo sueco descobriu que certos povos das Filipinas possuem ainda mais desse DNA. 

Entre esses povos estão os Ayta Magbukon, que têm média de 5% de DNA denisovano. Os cientistas acreditam que o maior isolamento deles em relação a outras populações de humanos modernos pode ter contribuído para menor diluição desse DNA ao longo do tempo. Os chineses han, maior grupo étnico da China, por exemplo, possuem em média apenas 0,2% de ancestralidade denisovana.

Para explicar como o DNA de outra espécie chegou até humanos modernos, os cientistas criaram modelos computacionais. Eles supõem que ancestrais dos atuais povos da Ásia e da Oceania cruzaram com humanos denisovanos e os genes foram passados de geração em geração, assim como o DNA neandertal.

Variantes genéticas denisovanas

Para sobreviver em altitudes de quase 5 mil metros em relação ao nível do mar, os povos do Tibete têm variações genéticas únicas em seu DNA. Entre elas está a variante do gene EPAS1, que regula a produção de hemoglobina. Em 2014, cientistas descobriram que essa variante é proveniente de DNA denisovano. Esse foi o primeiro caso descrito de uma variação genética adquirida através de cruzamento com outra espécie de humanos que ajudou uma população de humanos modernos a se adaptar a um ambiente. Para saber mais, veja “Tibete: um DNA para viver nas alturas”.

Marcadores genéticos

Para descobrir se uma pessoa possui DNA neandertal ou denisovano, cientistas buscam por determinadas sequências presentes no genoma chamadas de marcadores genéticos. Essas sequências ganharam esse nome porque estão presentes em grande frequência em populações específicas e em baixa frequência nas demais pessoas. Elas podem, portanto, ser usadas para identificar membros de certos povos.

Marcadores genéticos podem ser usados também para descobrir de quais regiões do mundo vieram os ancestrais de uma pessoa. No meuDNA, por exemplo, utilizamos bancos de dados internacionais que possuem marcadores genéticos de 88 populações ao redor do mundo. 

Através desses marcadores podemos obter informações sobre a origem dos seus antepassados de 5 até 8 gerações atrás, o que equivale aos bisavós dos seus tataravós. Se quiser saber mais sobre o nosso teste e a sua ancestralidade genética, visite o nosso site!

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