O DNA está no ar

Você sabia que é possível encontrar DNA no ambiente, até mesmo no ar? Dois grupos de pesquisadores conseguiram usar o DNA que estava no ar para identificar animais de uma região.

O DNA é o manual de instruções dos seres vivos e por isso é encontrado dentro das células de todos eles. Mas constantemente os animais soltam pelos, passam por renovação de células da pele, espirram… e em todos esses processos acabam depositando tecido ou células, que contêm DNA, no ambiente.

DNA ambiental e sua utilidade prática

O chamado DNA ambiental, como o próprio nome indica, são as moléculas de DNA que não estão mais nos organismos e são encontrados no ambiente, como solo, neve ou água, por exemplo. Pesquisadores já conseguiram obter amostras de DNA até mesmo de mel e de superfícies de plantas e fungos.

Estudos de ecologia constantemente avaliam a biodiversidade dos ecossistemas, o que permite identificar causas e consequências das ações humanas na natureza e elaborar programas de conservação.

Como há diferenças no DNA de cada espécie, é possível usar o DNA ambiental para estudar a biodiversidade, ou seja, quais são os animais de um determinado lugar. E com um bônus: não é um procedimento invasivo, pois não é preciso capturar e rastrear os animais.

O DNA ambiental já vem sendo usado para esse tipo de pesquisa, especialmente o DNA “aquático”, e recentemente, dois estudos foram capazes de identificar animais a partir de DNA encontrado em um lugar inusitado: no ar!

Voa, voa, elefantinho

Ilustração do desenho experimental das pesquisas de DNA ambiental no ar

Os grupos realizaram as pesquisas de forma independente e disponibilizaram os resultados dos estudos na plataforma de preprint bioRxiv.

Como a lista de animais que estão no zoológico é conhecida de antemão, este é o lugar ideal para saber se a identificação foi feita corretamente e qual a eficiência dessa forma de amostragem. 

O grupo de pesquisadores do Reino Unido colocou filtros em diferentes lugares de um zoológico inglês para capturar o DNA do ar. Já os pesquisadores da Dinamarca fizeram as avaliações no zoológico de Copenhague, utilizando diferentes tipos de filtros coletores. 

Após análises de biologia molecular e sequenciamento genético, cada grupo detectou mais de 25 espécies, incluindo mamíferos e aves. Os estudos foram capazes de detectar também DNA proveniente de alimentos dados aos animais dos zoológicos e de espécies que estão nos arredores do zoológico, tanto selvagens quanto domesticadas.

As pesquisas mostraram ainda que a técnica foi capaz de detectar DNA em filtros que estavam a mais de 200 metros de distância dos animais de origem. Dessa forma, abre-se a possibilidade para coleta de amostra mesmo à distância.

Essa técnica ainda tem algumas limitações, como a dificuldade de ter uma amostra como controle negativo (sem nenhum DNA). Há também questões que não estão claras, como a distância que o DNA pode percorrer através do ar e todos os fatores que podem influenciar nessa jornada.

O DNA extraído do ar como forma de detectar a biodiversidade ainda precisa ser testado na natureza, mas se demonstrou uma técnica promissora.

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