Câncer de mama: genética, fatores de risco e a importância da detecção precoce

Saiba mais sobre a genética por trás do tipo de câncer que mais afeta mulheres em todo mundo e como testes genéticos podem ajudar na sua prevenção

O câncer de mama é o mais frequente em mulheres no mundo. Apenas em 2020, foram registrados cerca de 2,3 milhões de novos casos, o que representa quase um quarto do total de novos casos de câncer em mulheres. Ele é também a causa de óbito mais frequente por câncer em mulheres, com mais de 680 mil mortes em 2020. No Brasil, estima-se que neste ano já ocorreram mais de 66 mil novos casos.

Esses números são alarmantes, mas eram ainda maiores no passado. Por isso, em 1985, a Sociedade Norte-Americana de Câncer declarou outubro como o mês de conscientização do câncer de mama. Seu objetivo é promover o diagnóstico precoce da doença por exames como a mamografia, e desta forma aumentar as chances de cura.

No início dos anos 1990, uma mulher chamada Charlotte Haley já havia tido câncer de mama, assim como sua irmã e filha. Por isso, ela começou a distribuir laços alaranjados para chamar atenção de que o dinheiro investido na prevenção deste tipo de câncer era apenas 5% da verba total do Instituto Nacional de Câncer norte-americano. 

A iniciativa logo chamou a atenção de grandes empresas: em 1993, Evelyn Lauder, vice-presidente da Estée Lauder, criou a Fundação de Pesquisa do Câncer de Mama e estabeleceu o laço rosa, como o conhecemos hoje, como símbolo da campanha.

BRCA: o gene do câncer de mama

Até a década de 1970, as principais teorias sobre câncer de mama diziam que a doença era causada por vírus. Mas a pesquisadora norte-americana Mary-Claire King suspeitava que o câncer poderia ser genético, pois já se sabia que o risco de uma mulher desenvolve-lo era maior quando outras pessoas de sua família haviam sido afetadas.

Por isso, o grupo de pesquisa liderado por King começou a coletar amostras de DNA de pacientes com câncer de mama e de seus familiares. Dezessete anos depois, King conseguiu identificar um gene, chamado de BRCA1 (abreviação para BReast CAncer, câncer de mama em inglês), que, quando alterado, aumentava em quase 10 vezes a chance de uma mulher desenvolver câncer de mama. 

Hoje sabemos que mutações em outro gene, chamado BRCA2, também estão relacionadas ao câncer de mama – e ambos estão relacionados ao câncer de ovário. Mulheres que não têm mutação nesses genes têm, em média, cerca de 7% de chance de desenvolver câncer de mama e 0,5% de desenvolver câncer de ovário. Já em mulheres que têm alterações nesses genes, esses números sobem para 72% e 44%, respectivamente.

Balança mostrando que a chance de câncer de mama e de ovário aumenta quando o gene BRCA possui mutações

Como o câncer surge?

Todos nós temos os genes BRCA1 e BRCA2. Eles são responsáveis por “consertar” o DNA quando erros acontecem. Infelizmente, cerca de uma em cada 400 pessoas têm mutações nesses genes, o que significa que eles não funcionam como deveriam.

Desta forma, quando o DNA dessas pessoas precisa ser “consertado”, o gene com mutação não faz seu papel e deixa o erro se proliferar. Por isso, elas são mais propensas a desenvolver tumores e podem, inclusive, passar o gene alterado para seus filhos.

Gene BRCA repara o DNA

Fatores de risco para o câncer de mama

Fatores genéticos, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, são responsáveis por cerca de 10% dos casos de câncer de mama. Fatores ambientais, sobre os quais temos maior controle, são responsáveis pelos outros 90% dos casos. Alguns fatores de risco conhecidos incluem:

  • Terapias de reposição hormonal
  • Excesso de estrogênio
  • Anticoncepcional hormonal
  • Obesidade
  • Consumo frequente de álcool
Mitos sobre o câncer de mama

– O câncer de mama afeta apenas mulheres: estimativas nacionais indicam que 1% dos casos de câncer de mama ocorrem em homens. Apesar de bem mais raros, o percentual de mortalidade é alto, pois o diagnóstico geralmente é feito tardiamente.

– Desodorantes antitranspirantes causam câncer de mama: não há nenhuma evidência científica conclusiva que mostre que desodorantes antitranspirantes estão relacionados ao desenvolvimento de câncer de mama.

– Mamografias podem aumentar a chance de câncer de mama devido aos raios-X: pelo contrário; mamografias são exames fundamentais para detectar o câncer de mama de forma precoce, o que aumenta muito as chances de cura da doença.

Testes genéticos: a importância da detecção precoce

Além das estratégias de prevenção, a detecção precoce também é fundamental para combater o câncer de mama. Para isso, mulheres podem, por exemplo, fazer auto-exame das mamas e procurar por nódulos ou cistos. 

Caso encontre alguma massa anormal, é importante ir imediatamente ao médico: ela pode ser totalmente benigna, mas também pode indicar um tumor. Para mulheres que já passaram pela menopausa ou que têm histórico familiar, também é recomendado exames de mamografia frequentes. 

Testes genéticos, como o meuDNA Saúde, podem ser usados para descobrir mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam as chances de desenvolvimento de câncer de mama. O resultado positivo não significa, necessariamente, que o câncer vai aparecer mais cedo ou mais tarde; ele significa apenas que as chances são maiores em relação à média da população. 

Assim, quem tem um risco genético aumentado pode fazer exames de acompanhamento mais frequentes para detectar o câncer logo que ele surgir, caso ele de fato se desenvolva. Junto ao médico, é possível também adotar medidas de redução de risco. 

Por isso, fazer um teste genético também é cuidar da sua saúde. O meuDNA Saúde revela suas chances de desenvolver diferentes tipos de câncer, incluindo câncer de mama e de ovário, e outras condições, como colesterol alto. Conheça o teste!

Deixe uma resposta

You May Also Like