Dia da Diversidade dos Povos Indígenas

Imagem ilustrativa de bustos que representam indígenas de diferentes grupos populacionais

Em 1940 ocorreu o I Congresso Indigenista Interamericano. O evento, inicialmente boicotado pelos povos indígenas, teve a presença marcante de líderes nativos americanos a partir do dia 19 de abril. Por isso, a data foi escolhida para celebrar mundialmente a diversidade das populações indígenas.

O que é diversidade indígena

Apesar de comumente serem referidos como um único grupo, os povos indígenas são diversos e apresentam histórias, culturas e idiomas diferentes.

Esse erro comum na percepção de quem é o indígena se dá, principalmente, por dois fatores: a colonização do território brasileiro resultou na morte de grande parte da população nativa e, por isso, pessoas não indígenas têm pouco contato com esses povos e suas culturas; além disso, a maioria dos povos indígenas não usava a linguagem escrita, então as histórias que lemos nos livros foram criadas por europeus, que viam os nativos como um único grupo étnico.

No entanto, estima-se que havia entre 1,5 milhão e 5 milhões de indígenas vivendo no território brasileiro no momento da “descoberta”, pertencentes a cerca de 1.000 povos diferentes.

Segundo dados coletados pelo IBGE no último censo, em 2010 havia mais de 817 mil brasileiros que se declararam indígenas, o equivalente a 0,4% da população total do país. Nessa pesquisa foram listados 305 povos indígenas diferentes.

Fonte: IBGE 2001.

Infelizmente, os povos indígenas e suas culturas continuam ameaçados, não só pela ocupação das terras, mas também pela presença cada vez mais marcante das influências europeia e africana, que são predominantes no Brasil, dentro dessas comunidades. Por isso, conhecer e preservar as culturas indígenas contemporâneas e ancestrais é muito importante. 

Povos indígenas e suas línguas

É comum pensar que o Brasil é um país monolíngue, onde só se fala português. Mas a realidade é que cerca de 300 outras línguas são faladas no território brasileiro. No censo de 2010, os indígenas pertencentes às 305 etnias declaradas listaram 274 idiomas de origem nativa americana.

Diversidade linguística ameaçada

Infelizmente, como grande parte dos idiomas falados pelos povos indígenas não utilizam linguagem escrita e há uma pressão para o ensino do português nessas comunidades, a diversidade linguística está ameaçada.Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2020 haviam somente 180 idiomas sendo ativamente usados no Brasil.A fim de preservar a diversidade linguística do país, em 2010 foi criado o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) com o objetivo de identificar, documentar, reconhecer e valorizar os diferentes idiomas falados no Brasil.

A ideia de que todos os povos indígenas falam Tupi-Guarani, é um exemplo de como a cultura indígena foi generalizada. Na verdade, Tupi-Guarani não é uma única língua, mas uma família linguística de um mesmo tronco, o Tupi. Essas línguas eram faladas majoritariamente por povos indígenas que viviam na costa do continente e tiveram mais contato com os colonizadores que, por não conhecerem as línguas, achavam que todos os povos estavam falando o mesmo idioma.

O tronco Tupi ainda é um dos mais falados por povos indígenas atualmente, e é bastante diverso. Esse tronco é composto por 10 famílias linguísticas, incluindo a Tupi-Guarani, onde se enquadra a língua Guarani, além de mais de 20 outras. Muitas das línguas também possuem diferentes dialetos. O Guarani, por exemplo, é falado em três dialetos diferentes: o Kaiowá, o Mbyá e o Nhandéva.

A diversidade vista nas línguas dos povos indígenas enfatiza o quanto a população indígena é plural.

Genética das populações indígenas: a ancestralidade Nativa Americana

Nos últimos 20 anos foram sequenciados vários genomas de fósseis e ossadas de nativos americanos encontrados em sítios arqueológicos. A partir desses estudos, cientistas puderam estimar a origem dos grupos responsáveis pelo povoamento da américa e conhecer melhor a composição genética dos primeiros povos brasileiros.

Além disso, conhecendo o genoma dos povos indígenas é possível estimar a contribuição deles no genoma de populações que são compostas pela mistura de muitos povos, como a brasileira. Estudos da genética de populações brasileiras mostram que a ancestralidade Nativa Americana média do brasileiro é de 12%, chegando a 28% na região Norte onde se localizam as maiores populações indígenas.

Essas estimativas de ancestralidade geralmente são capazes de distinguir populações nativo americanas em três grupos: nativos da América do Norte, da América Central e da América do Sul. Estimar a ancestralidade considerando cada uma das centenas de povos indígenas é muito difícil.

Para estimar a ancestralidade é preciso comparar o DNA da pessoa que está fazendo o teste com milhares de genomas de outros povos. No entanto, as populações indígenas, além de muito reduzidas, e muitas vezes isoladas, em sua grande maioria já se miscigenaram com outros povos, como europeus e africanos no Brasil. Por isso, existem poucos genomas de referência dos povos indígenas, impossibilitando que ela seja corretamente subdividida em cada etnia.

Felizmente, as tecnologias de análise de DNA e os programas de estimativa de ancestralidade estão sempre evoluindo e se tornando mais eficientes a cada dia. Em paralelo, a descoberta de novos fósseis e ossadas de nativos americanos também irá ajudar a personalizar cada vez mais os testes genéticos de ancestralidade.

Diversidade dos povos indígenas nos bancos de DNA

De forma geral, os genomas de povos indígenas são sub-representados nos bancos de dados genômicos.A fim de minimizar esse problema foi criado o Projeto Diversidade do Genoma Humano (Human Genome Diversity Project, HGDP), que sequenciou mais de 800 amostras de 54 povos que estavam sub-representados nos bancos de dados genômicos anteriores. Neste banco são encontradas 61 amostras de nativos americanos, incluindo amostras de dois povos indígenas brasileiros: o Karitiana e o Surui.

Conhecer as origens dos povos indígenas é uma forma de reconectar seus descendentes com a cultura dos antepassados. Com o meuDNA Origens é possível estimar quanto do DNA de uma pessoa tem origem nativa americana, seja do norte, do centro ou do sul do continente. Essas são três das 88 populações analisadas no teste. Descubra mais sobre o seu passado, conheça o meuDNA Origens!

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O que é diversidade indígena?

A diversidade indígena se refere a todos os aspectos dos povos e culturas indígenas, como suas vestimentas, alimentação, religião, festas e arte.

Qual a importância da diversidade indígena?

A diversidade indígena é parte importante da diversidade brasileira e latina americana. Por isso, é muito importante que os povos indígenas e suas culturas sejam preservados. Como os povos indígenas estão ameaçados, tanto pela invasão de suas terras, quanto pela mistura com as culturas dos países onde vivem, suas culturas também estão em risco.

Quais as características da diversidade cultural indígena?

Existem centenas de povos indígenas no Brasil e na América Latina e suas culturas e costumes variam muito. Por isso, é difícil elencar elementos que identifiquem os povos indígenas como um todo. Algo que é comum entre esses povos é a relação mais próxima com a natureza. Elementos do ambiente onde vivem costumam ser usados nas suas vestimentas, acessórios, alimentação, cerimônias e festas.

O que é ancestralidade indígena?

Muitos brasileiros têm alguma porcentagem de ancestralidade indígena. Isso acontece quando a pessoa possui algum antepassado de origem indígena. Quanto mais recente for esse antepassado ou quanto maior for o número de antepassados indígenas, maior a porcentagem de ancestralidade indígena encontrada no DNA.

Publicado por Letícia Marcorin

Letícia é Química, Analista de Sistemas e Doutora em Genética. Ensinar sobre ciência e genética está no seu DNA.

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