Tradições de Ano Novo e a ancestralidade brasileira

Você sabe de onde surgiu a tradição de pular 7 ondas na virada do ano? Muitos dos costumes praticados na virada do Ano Novo no Brasil vêm de religiões de matriz africana. Conheça a seguir quais são essas tradições.

Tradições de ano novo e a ancestralidade brasileira

Mesmo que você nunca tenha pulado sete ondas durante a virada de algum ano, certamente você já ouviu falar dessa tradição. Além dela, também é costume vestir branco e escolher a cor das roupas íntimas com base nos desejos para o ano que vai começar: amarelo para dinheiro e rosa para amor, são algumas opções.

Essas são apenas duas das diversas tradições de Ano Novo comuns no Brasil, passadas entre as gerações. Mas você sabe onde essas tradições surgiram?

A origem do Réveillon

Os primeiros registros de comemorações pela chegada de um novo ano têm mais de 4.000 anos, na antiga Babilônia, região da Mesopotâmia. Assim como nos dias atuais, os antigos povos babilônios celebravam a passagem com esperança e pedindo prosperidade, que naquela época era sinônimo de boas colheitas e fartura de alimentos.
 
Ao invés de ocorrer entre os dias 31 de dezembro e 1º de janeiro, as comemorações aconteciam no final de março, no dia do equinócio de primavera (o dia com uma quantidade igual de horas de luz do sol e escuridão), que marca o fim do inverno e início da primavera no Hemisfério Norte e a época em que se iniciava uma nova safra de plantação.

Nessa ocasião eles realizavam uma grande festa religiosa de 11 dias chamada Akitu, que significa cevada (cereal colhido na primavera).

Foi só em 46 a.C. que o Ano Novo começou a ser comemorado em 1º de janeiro, iniciando o calendário juliano, instituído pelo imperador Romano Júlio César.

Heranças culturais da mãe África: roupas brancas, pular 7 ondas e outras tradições de Ano Novo

A tradição de usar roupas brancas na virada do ano é tão comum entre brasileiros que poucos sabem que não é feita em outros países. 

Essa tradição se difundiu pelo Brasil na década de 70, quando praticantes de religiões africanas – como a Umbanda e o Candomblé, começaram a fazer uma cerimônia de homenagem a Iemanjá na praia de Copacabana (o principal ponto do Réveillon). 

Mas a cerimônia já era conhecida no litoral de São Paulo, na Praia Grande, desde os anos 50. O chamado Encontro das Águas era uma festividade onde os fiéis caminhavam de branco em procissão levando a imagem de Iemanjá, considerada a entidade protetora das águas.

Iemanjá é uma divindade africana, originalmente vinda da Nigéria, da tradição dos iorubáa. Ela é considerada a Rainha do Mar, protetora dos pescadores, e foi incorporada pelo candomblé e pela umbanda no Brasil.

Após se tornar popular na festa de réveillon em Copacabana, o uso do branco se popularizou em todo o país, se solidificando na cultura popular, mesmo entre pessoas  que não praticam a religião. A maior parte das pessoas não usa o branco com fins religiosos, mas sim por acreditarem que atrai paz e boas energias.

Quem passa a virada do ano em algum litoral pode ver, além dos fogos de artifício, muitas flores e outros objetos, como barquinhos com velas, no mar. Jogar oferendas no mar também é uma tradição herdada das religiões africanas. 

O ritual consiste em fazer pedidos à Iemanjá e jogar oferendas (presentes) no mar, como bens materiais, espelhos, colares, e buquês de flores. Quem as joga torce para que não voltem, pois se retornam para a praia é sinal de que Iemanjá não as aceitou. 

Também herança de religiões africanas, principalmente da Umbanda, junto às oferendas ao mar, também é tradição pular sete ondas na virada do ano. A tradição é uma simpatia, que consiste em pular sete ondas e, a cada pulo, fazer algum agradecimento ou pedido para o ano seguinte. 

O número 7 faz parte da cultura da Umbanda: representa as Sete Linhas da Umbanda, entendidos como os 7 sentidos da vida ou as 7 qualidades de Deus, representadas pelos 7 Orixás: Oxalá, Oxum, Oxóssi, Xangô, Ogum, Obaluaiê e Iemanjá. Nessa tradição cada salto de onda é um pedido a um Orixá diferente. 

Quem não mora no litoral ou está longe de uma praia tem uma versão adaptada da tradição: pular três vezes com o pé direito enquanto segura uma taça com champanhe, que logo depois é jogado por cima do ombro para garantir um ano melhor do que o anterior. 

Além disso, também é costume acender incenso, tabaco e/ou outras ervas aromáticas para defumar a casa para o Ano Novo. Esse não é um hábito herdado unicamente das religiões africanas, mas é herança do sincretismo religioso do Brasil: tanto rituais católicos, indígenas e das religiões africanas têm esse costume. A defumação está ligada à purificação e limpeza espiritual, e afastamento de energias ruins. 

Tradições culturais de outras ancestralidades

O Brasil é um país miscigenado, influenciado por muitas culturas diferentes devido a sua colonização. Essas influências multiculturais podem ser observadas nas tradições de Ano Novo.

Além das tradições africanas, também incorporamos hábitos europeus, principalmente na nossa culinária.

A comida que comemos no dia 31 pode influenciar nosso ano novo! 

É o que diz a tradição, trazida pelos imigrantes italianos, de comer lentilhas na véspera de Ano Novo para trazer boa sorte, saúde e atrair prosperidade. A tradição diz que deve se comer sete colheradas de lentilhas em um lugar alto, como uma cadeira ou mesa. 

Outra simpatia para trazer prosperidade e dinheiro envolve sementes de romã. O ritual consiste em comer sete polpas da romã (a parte rosa que cobre a semente), sem mastigar ou engolir as sementes, e guardá-las em um papel até o dia 6 de janeiro (Dia de Reis) e depois, para atrair dinheiro, deve-se colocá-las na carteira.

Comer aves na virada de ano é proibido pois pode significar “atraso de vida”. A tradição diz que não se deve comer animais que “ciscam para trás“, como frango, só os que andam apenas para frente, como peixes e porcos. Para os antigos povos germânicos, porco era sinal de fartura e riqueza.

O champanhe é uma bebida relacionada à celebração e riqueza. Outra tradição diz que fazer um brinde e beber uma taça de champanhe logo no primeiro minuto do novo ano é bom para atrair prosperidade financeira.

E para completar os rituais gastronômicos e garantir um bom novo ano não se esqueça de comer uvas. A tradição, importada da Espanha, serve para atrair boa sorte e consiste em comer doze uvas, uma por vez, acompanhando as badaladas do relógio, fazendo um pedido para cada mês do novo ano. 

Quais tradições refletem a sua ancestralidade?

Como brasileiro você deve conhecer pelo menos algumas dessas tradições, passadas entre as gerações da sua família. Agora que tal descobrir quais dessas tradições estão relacionadas às suas origens genéticas? 

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Publicado por Ágatha Faria

Ágatha Cristhina Faria é farmacêutica, mestre em biotecnologia e PhD em genética. Ama genética e tudo que envolve o estudo do DNA tanto quanto ama comunicar.

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