A ancestralidade de Gilberto Gil

Ilustração do rosto de Gilberto Gil
Em matéria especial do Fantástico, o cantor e compositor descobriu de quais regiões do mundo vieram seus ancestrais

O povo brasileiro é um dos mais miscigenados do mundo. E um dos cantores brasileiros mais renomados nacional e internacionalmente mostrou que, no seu caso, isso não é diferente. No último domingo, Gilberto Gil viu, em matéria especial do programa Fantástico, da Rede Globo, os resultados do seu teste de ancestralidade, feito pelo meuDNA, a pedido da emissora.

Em termos de continentes, Gil é quase três quartos africano, com 74,8% de sua ancestralidade vinda da África, e um quarto europeu, com 23,6%. Os nativo-americanos ainda aparecem com uma contribuição de 1,6%. Saiba mais nesse post sobre os principais países que fazem parte do DNA de Gilberto Gil!

Gilberto Gil

Gilberto Passos Gil Moreira é um cantor e compositor brasileiro com mais de 50 álbuns lançados. Em 1999, Gil foi nomeado “Artista pela Paz” pela UNESCO e, em 2021, eleito para a Academia Brasileira de Letras. Além disso, Gil foi embaixador da ONU para agricultura e alimentação, e Ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008.

Ancestralidade africana: oeste da África

Ancestralidade do Gilberto Gil na África
Reprodução TV Globo

Assim como Gilberto Gil, cerca de 86% da população brasileira tem pelo menos 10% de ancestralidade africana. Portanto, mais de 180 milhões de brasileiros compartilham heranças genéticas vindas da África. 

No caso de Gil, países do oeste do continente africano foram responsáveis pelas maiores porcentagens, com destaque para Benim. Essa região já possuía várias cidades complexas séculos antes de Cristo, com rotas comerciais bem estabelecidas que cruzavam o deserto do Saara para levar produtos para Europa, Oriente Médio e Ásia. 

Infelizmente, entre os séculos XV e XIX, os povos do oeste da África foram vítimas do tráfico de escravos. Entre os séculos XVI e XIX, o Brasil foi o país da América que mais recebeu escravos africanos: estima-se que aproximadamente 4 milhões de pessoas tenham sido trazidas à força para o nosso país. Do século XVI até a metade do século XVIII, o centro-oeste africano, em particular a região que hoje corresponde à Angola, foi a principal origem dos escravos.

O fluxo de escravos da África para o Brasil só cessou em 1850. Em 1888, foi declarada a abolição da escravidão, o que infelizmente não promoveu a integração dos negros à sociedade brasileira. Ainda hoje, marcas desse infeliz passado são sentidas nas desigualdades entre descendentes de diferentes etnias no Brasil.

Ancestralidade africana: norte da África

A região do norte da África foi responsável por 27,2% da ancestralidade de Gilberto Gil. Essa região inclui países como Marrocos, Argélia e Tunísia. 

Grande parte da presença desses povos no DNA brasileiro se deve aos judeus sefarditas, ou seja, aos descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha que instalaram-se no Norte da África devido a perseguições religiosas. Em busca de melhor qualidade de vida e de liberdade religiosa, esses povos começaram a emigrar para o Brasil a partir de 1810, sendo que a maior parte deles chegou ao nosso país entre 1890 e 1910, quando o ciclo da borracha atraía trabalhadores para a região Amazônica. 

Ancestralidade europeia

Ancestralidade Gilberto Gil na Europa
Reprodução TV Globo

Na parte europeia da ancestralidade de Gilberto Gil, destacam-se as Ilhas Britânicas.

O Império Britânico foi o maior em extensão de terras descontínuas do mundo. Os britânicos possuíam colônias e protetorados em todos os continentes. Em 1920, cerca de 458 milhões de pessoas viviam nesses territórios, o que representava um quarto da população do mundo na época, tornando a influência inglesa linguística e cultural forte e generalizada.

Durante o século XVI, foram realizadas diversas incursões de navios ingleses na costa brasileira, com o principal intuito de constituir rotas comerciais. Porém, os números de ingleses que se estabeleceram no Brasil não foram expressivos. Uma das principais contribuições dos ingleses para a cultura brasileira e mundial foi o futebol, esporte foi trazido para o Brasil por Charles Miller, um brasileiro de ascendência inglesa, após ter estudado na Grã-Bretanha.

“Gilberto Gil mostra exatamente a diversidade do Brasil”, comentou David Schlesinger, médico geneticista e CEO do meuDNA. Cada uma das culturas presentes em nosso país, seja de nativo-americanos ou de imigrantes africanos, europeus ou asiáticos, contribui para a grande diversidade do Brasil e torna nosso país tão rico e único.

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