Sanguessugas ou DNAssugas? Animais usados no monitoramento ambiental

sanguessuga lendo um cardápio de DNAs disponíveis

Saiba mais sobre a alternativa bem inusitada de identificar espécies através do DNA presente em sanguessugas.

Desmatamento, produção acelerada de lixo, descarte inapropriado de resíduos químicos e mudanças climáticas são alguns dos fatores que prejudicam a biodiversidade de uma região. A biodiversidade, ou diversidade biológica, é definida como o conjunto de espécies de um local. 

Com o passar do tempo, e principalmente pela ação humana, o mundo começou a perder espécies e habitats a uma velocidade crescente e alarmante. Segundo a World Wide Fund for Nature (WWF, Fundo Mundial para a Natureza), pelo menos 10.000 espécies são extintas por ano.

Para mudar esse cenário, a determinação de áreas de proteção ambiental são um passo importante para conservar a natureza. Contudo, muitas vezes é difícil medir a eficácia da área em relação à sobrevivência e adaptação dos seres vivos preservados. 

Medidas como o uso de armadilhas fotográficas e gravadores bioacústicos permitem o amplo monitoramento da biodiversidade em áreas relativamente grandes, mas esses recursos são caros e apresentam variação de informação dependendo da extensão da região coberta.

Pensando em cobrir mais áreas,  grupos de pesquisa estão começando a usar o DNA ambiental como estratégia complementar de monitoramento da biodiversidade!

O que é DNA ambiental?
Todo DNA que não está mais no organismo passa a ser chamado de DNA ambiental, e pode ser encontrado na água, no solo e até mesmo no ar

Sequenciamento de DNA de sanguessugas

Pesquisadores da Reserva Florestal de Ailaoshan, na China, resolveram experimentar uma metodologia inusitada: sequenciar o DNA ambiental de espécies da região através de sanguessugas.

Sanguessugas são vermes de água doce, que como o próprio nome diz sugam o sangue de um animal. Esses vermes possuem ventosas em suas bocas que ajudam a se fixar na presa e ainda produzem uma substância anticoagulante e anestésica na sua saliva. Assim, elas conseguem sugar o sangue sem o animal perceber sua presença.

Sanguessuga rosa com vários DNAs no fundo da imagem.

Além disso, as sanguessugas não são muito seletivas em relação a sua refeição. Elas conseguem se alimentar do sangue de animais de diferentes espécies de vertebrados, como bois, cavalos, répteis, peixes e seres humanos.

Por isso, as sanguessugas, animais abundantes na Reserva Florestal de Ailaoshan, foram usadas para avaliar a biodiversidade como fonte de DNA ambiental. Os pesquisadores se basearam em uma técnica que avalia o DNA de animais vertebrados (anfíbios, mamíferos, aves e répteis) que foram parasitados por animais invertebrados (sanguessugas, mosquitos, moscas que picam e carrapatos). 

Outra vantagem de usar os vermes sugadores de sangue para esse tipo de monitoramento é que a metodologia de análise consegue identificar o DNA de espécies que serviram de refeições para as sanguessugas por pelo menos quatro meses após a sua última refeição.

Mapa roxo representando a localização geográfica da Reserva de Ailaoshan na China.

Análise de DNA

Para identificar as espécies presentes na reserva, os pesquisadores extraíram moléculas de DNA presentes em mais de 30 mil sanguessugas e realizaram o sequenciamento genético desse material. Depois, buscaram por marcadores genéticos, ou seja, trechos de DNA conhecidos que permitem a identificação das espécies. 

O grupo de estudo identificou 86 espécies de vertebrados, incluindo diferentes espécies de sapos, mamíferos e aves. Os resultados mostraram que a Reserva Ailaoshan oferece um espaço protegido com alto valor de conservação para espécies de vertebrados, principalmente em sua área central. 

Também foram identificadas 15 espécies ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN- The International Union for Conservation of Nature’s). Entre elas estão o urso negro asiático, sambar (veado),  macaco-rabo-de-coto, o sapo espinhoso de Yunnan e sapo dentado Jingdong.

Além disso, o estudo destacou a vulnerabilidade da reserva à degradação decorrente da atividade humana como a agricultura, pecuária e caça, uma vez que o DNA da vaca, cabra e ovelha domésticas e veados foram encontrados nas sanguessugas coletadas nas regiões de baixa altitude, que compreendem as bordas da reserva. 

O DNA das ovelhas, por exemplo, foi encontrado especialmente na parte sudeste da reserva (próximo ao condado de Xinping), principal área de reprodução da raça de ovelhas Shiping Qin de pêlo escuro.

Esse estudo é mais um exemplo de como o DNA pode trazer informações importantes para o ambiente identificando 86 espécies de animais através do DNA presente em sanguessugas. E você, sabia que é possível detectar o DNA de até 8 gerações do seu DNA? 

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O que é DNA ambiental?

DNA ambiental é aquele que não está mais no organismo. Ele pode ser coletado de uma variedade de amostras ambientais tais como solo, água, ou mesmo ar. 

Como o DNA ambiental pode ser usado para avaliar a preservação ambiental? 

O DNA ambiental é uma ferramenta que detecta o DNA de todos os seres vivos que vivem ou transitam por uma região

Como funciona o sequenciamento de DNA?

É uma técnica que permite “ler” a sequência de DNA. Depois, a sequência é comparada com trechos de DNA conhecidos que permitem a identificação de espécies.

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