Telômeros: por que nossas células envelhecem?

Saiba mais sobre as estruturas do DNA que são marcadores biológicos do envelhecimento celular

Saiba mais sobre as estruturas do DNA que são marcadores biológicos do envelhecimento celular

Por que envelhecemos? A resposta para essa pergunta é uma das mais desejadas tanto por cientistas como por não-cientistas. Infelizmente, ainda não sabemos como permanecer jovens para sempre, mas sabemos explicar alguns dos muitos e complexos processos que fazem com que um organismo envelheça. A nível celular, por exemplo, o envelhecimento está muito relacionado com os telômeros.

O termo vem do grego antigo télos, fim, e méros, parte. Isso porque eles são justamente a “parte do fim” do DNA, as estruturas presentes nas porções finais dos cromossomos – assim como as pontas de plástico dos cadarços de tênis. Sua função é proteger nosso material genético. Mas, conforme as células se dividem, os telômeros ficam cada vez mais curtos. Quando atingem um comprimento mínimo, é um sinal para a célula morrer. 

Mas como esse processo funciona? É possível revertê-lo? Vamos entender mais ao longo desse post.

Descoberta do telômero

Assim como nós, todas as células têm um ciclo de vida. Algumas, como as do intestino, vivem por dias; outras, como as do sangue, por meses; e os neurônios, por exemplo, podem durar nossa vida inteira. Durante seu ciclo, elas se dividem para criar novas células e repor aquelas que morreram. Como, então, as células sabem que é hora de parar de se dividir e morrer?

Na década de 1970, o biólogo russo Alexei Olovnikov percebeu que os cromossomos não conseguiam replicar as sequências de DNA perto de suas pontas. Entre os anos de 1975 e 1977, a bióloga australiana Elizabeth Blackburn notou que essas pontas dos cromossomos eram constituídas por sequências de DNA simples e repetitivas. Por seu trabalho com telômeros e o envelhecimento celular, Blackburn foi laureada com o prêmio Nobel de Medicina em 2009, junto com seus colegas Jack Szostak e Carol Greider.

Depois de décadas de estudo e pesquisa, os cientistas descobriram que essas sequências de DNA eram simples e repetitivas porque não tinham a função de codificar proteínas, mas sim de proteger as demais partes dos cromossomos. Assim, caso fossem perdidas durante o processo de divisão celular, a célula não seria prejudicada. Quando os telômeros ficam muito curtos, a célula corre mais risco de perder material genético importante durante a replicação e, por isso, iniciam o processo de morte celular.

Telômeros e o DNA Lixo

Na década de 1960, cientistas descobriram que apenas 2% do nosso DNA codifica proteínas. Por isso, eles cunharam o termo “DNA Lixo” para se referir aos outros 98%. Ao longo do tempo, porém, a ciência descobriu que grande parte do DNA Lixo exerce funções importantes para o nosso organismo. Os telômeros são exemplo disso, pois apesar de não guardarem instruções para a produção de proteínas, eles protegem nosso material genético de mutações.

Telômeros e envelhecimento

Como os telômeros diminuem de tamanho com o passar do tempo, a cada divisão celular, eles podem ser usados como marcadores do envelhecimento celular: quanto menor os telômeros, mais velha a célula. E, quanto mais velha a célula, maior a probabilidade de erros durante sua divisão.

Esses erros, que podem incluir perda de material genético ou mutações na sequência de DNA, podem levar ao desenvolvimento de condições normalmente associadas ao envelhecimento, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e doença de Alzheimer. Além disso, falhas ao copiar o DNA para gerar uma nova célula podem gerar tumores, tanto benignos como malignos (câncer).

Qual o tamanho de um telômero?

Os telômeros variam muito de tamanho entre diferentes espécies. Em leveduras, eles têm aproximadamente 300 pares de letras. Em humanos, podem ter mais de 11 mil pares. 

A pergunta que você talvez esteja se fazendo agora é: seria possível aumentar o tamanho dos telômeros novamente e reverter o envelhecimento?

Telomerase: é possível reverter o envelhecimento?

Em 1984, Blackburn descobriu a enzima telomerase. Esta enzima tem a função de adicionar sequências repetitivas de DNA ao fim dos cromossomos, o que aumenta o tamanho dos telômeros. Entretanto, a telomerase está ativa somente em algumas células especiais do nosso organismo, como linfócitos, células-tronco embrionárias e adultas.

Essa descoberta abriu as portas para novas linhas de pesquisa, que buscavam retardar o envelhecimento celular. Mas conter o envelhecimento de células não é a mesma coisa que conter o envelhecimento do organismo como um todo. A maior parte dos estudos com telomerase tem como principal objetivo descobrir novos tratamentos para doenças genéticas causadas por mutações associadas a telômeros ao comprimento dos telômeros, como diferentes tipos de câncer.

Então, se por um lado a juventude eterna ainda não parece possível, por outro, os telômeros talvez nos ajudem a tratar doenças graves.

meuDNA Saúde: envelheça com saúde

A maior parte dos cânceres são causados por mutações genéticas adquiridas ao longo da vida, entre as quais estão incluídas as alterações devido ao envelhecimento celular e que modificam o comprimento dos telômeros dos telômeros, e aquelas relacionadas ao ambiente, como exposição a radiação solar, tabagismo, entre outros fatores.

Entretanto, alguns tipos de câncer são causados por mutações com as quais já nascemos. Nesses casos, chamados de cânceres hereditários, a doença não apenas costuma surgir mais cedo (normalmente antes dos 50 anos de idade), mas também é passada de geração em geração.

O meuDNA Saúde consegue detectar mutações associadas a diferentes tipos de câncer hereditários, como câncer de mama e de próstata, com uma simples amostra de saliva. Desta forma, levando os resultados para um médico, é possível diminuir o risco da doença aparecer, através de medidas preventivas, e detectá-la da maneira mais precoce possível caso ela de fatos se desenvolva, o que aumenta muito as chances de cura. Conheça o teste!

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