O que a história do DNA de cães revela sobre a história dos humanos?

Cães puxando um trenó na neve
DNA de cachorros que viveram milhares de anos atrás ajudam pesquisadores a compreender melhor rotas de comércio e migrações de humanos ao longo do tempo

Não é por acaso que os cachorros são conhecidos como os melhores amigos do homem. Esses fiéis companheiros de quatro patas estão ao lado dos humanos há milhares de anos. No Ártico, existem evidências de que eles já nos ajudavam a caçar, puxar trenós e arrebanhar renas 9.500 anos atrás.

Agora, analisando o DNA de cães que viveram naquela época, um novo estudo mostrou que humanos do Ártico já tinham contato com europeus há 7 mil anos. A descoberta desafiou a ideia de que povos daquela região permaneceram isolados do mundo por um grande período de tempo. O resultado também intrigou pesquisadores que estudaram o DNA desses povos e não encontraram indícios de miscigenação com outros humanos.

Como, então, o DNA de cachorros ajudou a mudar a visão dos cientistas?

DNA canino miscigenado

Três cães, cada um com um DNA diferente.

De acordo com a análise de DNA humano, é provável que os povos do Ártico não tenham gerado descendentes com outras populações, misturando seu material genético. Mas o mesmo não é válido para os cães que acompanhavam esses humanos.

A arqueóloga ​​Tatiana Feuerborn, da Universidade de Copenhague, analisou o DNA de fósseis de 49 cachorros do Ártico, que chegavam a ter até 11 mil anos de idade. Ela descobriu, através de marcadores genéticos, que muitos deles acasalaram com cães provenientes da Eurásia. Como cães raramente percorrem grandes distâncias sem seus donos, o resultado indica que humanos provenientes de ambas as regiões também se encontravam.

A descoberta de Feuerborn confirma evidências arqueológicas que indicavam contato entre povos do Ártico e povos europeus, como objetos datados de 2 mil anos atrás encontrados na Península de Yamal, na Rússia. De acordo com a arqueóloga, esse contato pode ter sido fundamental para transmitir novas ideias e tecnologias entre os povos.

“Cães são um pedaço do nosso passado”, disse Feuerborn. “Ao olhar para eles, nós podemos aprender mais sobre nós mesmos”.

Chegada às Américas e a história humana

Mapa da América do Norte com rotas de migração.

E essa não foi a primeira vez que o DNA de cães ajudou a revelar mais sobre a história humana. Um fragmento de osso do fêmur de um cachorro, encontrado no Alasca, ajudou pesquisadores a entender melhor o período em que os humanos chegaram ao continente americano pela primeira vez, ao final de uma Era do Gelo.

Em um estudo publicado em fevereiro, cientistas analisaram o DNA presente nesse osso e compararam com o material genético de lobos, cães antigos e modernos. Eles concluíram que o osso pertencia a uma linhagem de cachorros que havia se separado de cães siberianos cerca de 16.700 anos atrás, antes do período que acreditava-se que os humanos tinham chegado no continente.

Nesta época, a passagem terrestre teoricamente percorrida pelos humanos do Alasca em direção ao sul do continente estava coberta por gelo. Por isso, de acordo com os pesquisadores, a descoberta de um cão desta época sugere que os humanos que o acompanhavam podem ter percorrido uma rota alternativa por barcos, pela costa do oceano Pacífico. Essa teoria é corroborada por uma análise molecular do osso do cão, que revelou a presença de um isótopo que indica uma dieta predominantemente marinha. 

DNA humano

Se o DNA de cães ajuda a compreender mais sobre a nossa história, o DNA dos humanos que viveram há dezenas de milhares de anos atrás pode revelar muito mais sobre os processos migratórios da nossa espécie.

Desde 2014, quando o primeiro genoma de um fóssil antigo do continente americano foi estudado, a análise de DNA tem sido uma ferramenta importante para o estudo do povoamento das Américas. É possível, por exemplo, descobrir quando ocorreram divisões, isolamentos ou miscigenação de populações. 

Entre outros resultados, a genética ajudou a corroborar a teoria de que três grupos de humanos chegaram à América em diferentes momentos, mas apenas um deles continuou em direção ao sul do continente. Assim, eles se tornaram os ancestrais dos povos indígenas da América Central e do Sul.

Para saber mais, leia “Migrações desvendadas pela genômica“.

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